quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Chega de Saudade

Como transformar um fenômeno musical em objeto de arte? Respostas a essa pergunta foram apresentadas na Bossa na Oca durante dois meses, entre 8 de Julho e 9 de Setembro de 2008, no Parque do Ibirapuera. A exposição comemorou os 50 anos da bossa nova levando em conta o lançamento da gravação de João Gilberto de Chega de Saudade, composta por Tom Jobim e Vinícius de Moraes, como ponto inicial.

Com curadoria do artista Marcello Dantas e do videomaker Carlos Nader, a mostra foi marcada pela utilização de tecnologias avançadas na tentativa de buscar uma interatividade entre o visitante e os diversos elementos que compunham a exposição.

Esses elementos transcenderam a parte musical, trazendo ao público o contexto em que a bossa nova emergiu. Para tanto, foram criados alguns cenários representando lugares ícones desse movimento como a casa noturna “Beco das garrafas”, reconhecido como o templo inicial da bossa, a Praia de Copacabana, feita com pó de mármore que simula a areia e o pedras portuguesas desenhando o calçadão preto-e-branco, além das imagens do mar carioca projetadas no teto da Oca ao som das canções da bossa nova executadas em uma vitrola.


Com a tecnologia foi possível também o encontro no palco de ilustres como Frank Sinatra, Ella fitzgerald e Tom Jobim. Esses shows foram realizados através da técnica do holograma, o que possibilita a reprodução de tais figuras em tamanho real no palco.


A escolha do local para a exposição não poderia ter sido mais oportuna. A Oca foi projetada por Oscar Niemeyer, arquiteto que sempre projetou obras inovadoras e a frente de seu tempo, característica essa atribuída também aos artistas da bossa nova. Portanto, os dois elementos se uniam pelo caráter inovador, aliando sofisticação e simplicidade.

A linguagem cinematográfica foi um recurso muito utilizado por meio de exibições de documentários, com destaque a entrevistas de Nara Leão, Tom Jobim e Vinícius de Moraes, e também cenas inéditas do filme “Vinícius” de Miguel Faria Jr.

O destaque fica pela harmonia entre o tema proposto e a montagem da mostra de uma forma geral, o que envolveu o visitante não apenas por meio da música ou ainda por meio de imagens, mas também pelas sensações causadas. Sugeriu-se dessa forma um panorama virtual, porém muito palpável e rico em informações.

Fonte das fotos: flickr.com/photos/marcos-mamu

Um comentário:

Márcia Fortunato disse...

Irene, achei muito boa sua resenha. O título é ótimo.
A imagem dos banquinhos é muito boa.
Beijos, Márcia.