terça-feira, 21 de outubro de 2008

Primeira versão do artigo

MÚSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Irene de Aguiar Alonso

Atualmente, em muitas escolas de educação infantil, utiliza-se a proposta do construtivismo. O trabalho com essa abordagem implica em perceber o que tem significado para criança, como ela pensa o mundo e suas hipóteses. Essa teoria embasa todo o trabalho na escola, envolvendo as diferentes áreas. O curioso é que dificilmente essa abordagem é expandida também para o ensino da música.

A música é muitas vezes entendida com algo pronto, com suas regras e particularidades. Alguns entendem que seu ensino deve seguir esses mesmos princípios. Porém, se faz necessário uma exploração inicial da criança, um contato com esse universo antes da introdução de fato aos códigos formais da música.

Essa primeira exploração é importante para as crianças se relacionarem com a pesquisa musical. O trabalho com a música não é algo acabado, no qual a professora sugere, além da música em si, técnicas prontas supostamente necessárias ao acompanhamento dessa. Esse ensino não leva em conta nenhuma construção da criança que não tem a possibilidade de criar teorias e tentar entender como a música é construída.

Para um ensino de música baseado na pedagogia construtivista, as aulas devem envolver participação e criação por parte das crianças. As crianças devem construir música, explorando os instrumentos e fazendo uma pesquisa sobre os sons e como eles se combinam. Outra abordagem pode ser também a elaboração dos próprios instrumentos.

Com essas propostas, a criança realiza seu caminho no qual o papel do professor é observar e respeitar esse percurso de exploração. Como no ensino de artes, em que a criança explora os diversos materiais, descobre mistura de cores, o percurso na música vai do gesto impreciso para o preciso. Para que isso ocorra, a criança precisa experimentar, vivenciar e assim entender como funciona a música, antes de aprender o código musical propriamente dito.

Essa vivência possibilita que a criança se aproprie do objeto em questão, aumentando a chance de se interessar futuramente por um ensino formal de um instrumento ou da música de uma forma geral. Obtendo contato com uma gama de instrumentos já na primeira infância, a criança tem a possibilidade de perceber qual desses, lhe desperta maior interesse ou afinidade.

O objetivo do ensino de música na educação infantil não é de formar futuros músicos e sim de apresentá-la como uma linguagem ligada a criatividade e a imaginação. Esse contato é importante para a formação integral da criança e seu objetivo não deve estar dissociado dos objetivos gerais da educação infantil.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Alguns itens a serem trabalhados no artigo

Música na educação infantil

- Por que é importante trabalhar música na educação infantil e quais são seus objetivos:
- É necessária uma primeira experiência musical, antes da introdução do código convencional da música.
- O trabalho com música é um processo contínuo de construção que envolve perceber, sentir, experimentar, imitar, criar e refletir.
- Comparar os estágios do desenvolvimento propostos por Piaget com a experiência com a música.
- A criança constrói seu caminho e o papel do educador é de observar e respeitar o modo como a criança explora o universo musical.
- O percurso vai do impreciso para o preciso. (por isso é necessário a exploração anterior)
- o principal objetivo não é a preparação para um ensino formal de música e sim o de possibilitar que a criança explore esse universo e possa enriquecer sua percepção e ter consciência do seu processo. (Não visa a formação de possíveis músicos de amanhã e sim a formação integral da criança de hoje)

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Chega de Saudade

Como transformar um fenômeno musical em objeto de arte? Respostas a essa pergunta foram apresentadas na Bossa na Oca durante dois meses, entre 8 de Julho e 9 de Setembro de 2008, no Parque do Ibirapuera. A exposição comemorou os 50 anos da bossa nova levando em conta o lançamento da gravação de João Gilberto de Chega de Saudade, composta por Tom Jobim e Vinícius de Moraes, como ponto inicial.

Com curadoria do artista Marcello Dantas e do videomaker Carlos Nader, a mostra foi marcada pela utilização de tecnologias avançadas na tentativa de buscar uma interatividade entre o visitante e os diversos elementos que compunham a exposição.

Esses elementos transcenderam a parte musical, trazendo ao público o contexto em que a bossa nova emergiu. Para tanto, foram criados alguns cenários representando lugares ícones desse movimento como a casa noturna “Beco das garrafas”, reconhecido como o templo inicial da bossa, a Praia de Copacabana, feita com pó de mármore que simula a areia e o pedras portuguesas desenhando o calçadão preto-e-branco, além das imagens do mar carioca projetadas no teto da Oca ao som das canções da bossa nova executadas em uma vitrola.


Com a tecnologia foi possível também o encontro no palco de ilustres como Frank Sinatra, Ella fitzgerald e Tom Jobim. Esses shows foram realizados através da técnica do holograma, o que possibilita a reprodução de tais figuras em tamanho real no palco.


A escolha do local para a exposição não poderia ter sido mais oportuna. A Oca foi projetada por Oscar Niemeyer, arquiteto que sempre projetou obras inovadoras e a frente de seu tempo, característica essa atribuída também aos artistas da bossa nova. Portanto, os dois elementos se uniam pelo caráter inovador, aliando sofisticação e simplicidade.

A linguagem cinematográfica foi um recurso muito utilizado por meio de exibições de documentários, com destaque a entrevistas de Nara Leão, Tom Jobim e Vinícius de Moraes, e também cenas inéditas do filme “Vinícius” de Miguel Faria Jr.

O destaque fica pela harmonia entre o tema proposto e a montagem da mostra de uma forma geral, o que envolveu o visitante não apenas por meio da música ou ainda por meio de imagens, mas também pelas sensações causadas. Sugeriu-se dessa forma um panorama virtual, porém muito palpável e rico em informações.

Fonte das fotos: flickr.com/photos/marcos-mamu