quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Resenha : O balão Vermelho (com acréscimo)

Era uma vez um menino e um balão passeando pelas ruas de Paris. O menino, interpretado por Pascal Lamorisse, filho do diretor, liberta o balão de um poste de iluminação. A partir de então, os dois tornam-se amigos inseparáveis e vivem grandes aventuras. Assim se resume o enredo do filme de Albert Lamorisse, “Balão Vermelho” (França, 1956).

O que chama a atenção no enredo e na técnica é o fato de o balão ser um objeto animado: ele segue o menino, se esconde, brinca, foge, mas sempre retorna ao encontro do amigo. Essa amizade desperta a inveja e a incompreensão de crianças e adultos.

As imagens falam mais que as palavras. Nos 38 minutos de filme, os únicos diálogos são “Fica, balão!” e “Voe, balão!”. A belíssima e sensível fotografia registra a melancólica Paris da década de 50, dominada por tons pastéis, cinzas e marrons, que contrastam com o vermelho sempre brilhante do balão.

Vencedor do Oscar de melhor roteiro original, da Palma de Ouro em Cannes como melhor curta-metragem e do Prix Louis Delluc, todos em 1956, e do prêmio especial do Bafta Awards em 1957, o “Balão Vermelho” vem marcando época e continua encantando o público até os dias de hoje. Em 2007, o diretor Hou Hsiau-Hsien adaptou a história sob o título “A viagem do balão vermelho”, em referência ao filme de Lamorisse.

Com um enredo simples, que narra as idas e vindas do garoto a caminho da escola, esse filme nos faz refletir acerca do papel do imaginário infantil e seu poder de criar situações e assim afastar o que incomoda. A relação do menino com o balcão explicita isso de forma poética e encantadora.

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